Apneia do sono
Esse distúrbio
é caracterizado pelo fechamento repetitivo da passagem do ar pela garganta
durante o sono, podendo interromper a respiração por até 40 segundos. Essas
pequenas paradas fazem com que o indivíduo acorde durante a noite, interrompendo
o sono. "Fadiga, falta de concentração, alteração de humor e perda de memória e
libido são sintomas comuns de quem sofre de apneia", conta o neurologista
Shigueo Yonekura.
Para detectar o problema, é necessário procurar ajuda
médica, pois apenas exames em um laboratório de sono podem indicar o distúrbio.
Em alguns casos, o tratamento se restringe à perda de peso, já que a gordura em
excesso na região do pescoço estreita ainda mais a laringe, provocando a doença.
Sedentarismo Subir um lance de
escadas e já ficar cansado é apenas um dos incômodos que a vida sedentária traz.
É comum pessoas que não fazem nenhuma atividade física se sentirem fadigadas ao
menor sinal de esforço.
Isso se deve à falta de condicionamento do
sistema cardíaco, ou seja, o coração não bate saudável a ponto de mandar sangue
para o corpo todo. Desse modo, explica o cardiologista João Vicente da Silveira,
do Hospital São Luiz, por causa do acúmulo de ácido lático nos músculos, o
sistema muscular acaba fraco.
Para resolver esse problema, não há outra
solução: mexa-se! "O sedentário tem que se mexer, fazer caminhada, natação,
hidroginástica", aconselha João Vicente, que lembra que a falta de tempo ou
dinheiro não é desculpa para ficar parado. Descer do ônibus a dois ou três
pontos de seu destino, caminhar até a padaria ou o banco, trocar o elevador pela
escada são dicas valiosas para quem ainda insiste em dar desculpas.
Anemia A sensação de fadiga
pode estar ligada a essa doença, que nada mais é do que a diminuição da
hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio e nutrientes pelo corpo.
"Quem tem anemia acaba transportando menos substâncias, o que não é
aceito pelo organismo. O coração exige mais trabalho, levando ao fracasso dos
músculos", esclarece o nutrólogo José Alves Lara Neto, vice-presidente da ABRAN
(Associação Brasileira de Nutrologia). Com tratamento, a fadiga desaparece
completamente.
Alergia ao glúten Quem possui
essa alergia alimentar, segundo o nutrólogo José Alves Lara Neto, sente-se sem
energia para nada. Ele explica que isso acontece porque a glutenina, proteína
formadora do glúten, provoca uma irritação no intestino, diminuindo a absorção
de outras substâncias. Por isso, é importante detectar rapidamente a alergia ao
glúten.
Consumo de café Quem diria! A
cafeína, conhecida por fornecer energia, pode ser o agente causador da fadiga
inexplicável. Essa substância é termogênica, logo, obrigará teu organismo a
gastar mais energia. No entanto, quando você não tem essa energia para gastar,
tudo o que fica é o cansaço, a moleza... "Ela não dá energia, só estimula a
gastar", sintetiza o nutrólogo José Alves Lara Neto.
Desidratação O consumo de água
adequado é vital para o bom funcionamento do organismo. Assim, o corpo
desidratado está disfuncional. "A água serve pra manter a temperatura do corpo.
Se você não toma muita água, o seu organismo vai esquentar e cansar muito
rápido", conta o nutrólogo José Alves Lara Neto.
Para saber qual é a
quantidade certa de água que você deve consumir diariamente, multiplique seu
peso por 0,03. Seguindo esse cálculo, uma pessoa de 70 quilos deve tomar,
aproximadamente, 2,1 litros de água por dia.
Cigarro Mais um motivo para
largar o cigarro: ele te cansa, e por vários motivos. O primeiro deles, segundo
a pneumologista Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano, do Hospital do Servidor
Público Estadual é que quem fuma tem maior concentração de monóxido de carbono
no sangue, que compete com o oxigênio para fazer ligação com a hemoglobina.
Assim, o fumante tem menor concentração de oxigênio correndo pelo sangue, o que
dá a sensação de fadiga.
Outro motivo é que, entre os componentes do
cigarro, estão alguns que aceleram o catabolismo - conjunto de reações
metabólicas que liberam energia no organismo -, levando à perda desnecessária
dessa energia. Além disso, a nicotina diminui a quantidade de oxigênio que chega
à periferia do organismo, piorando o cansaço.
"Por último, quem fuma tem
perda maior de função pulmão por causa da ação dos componentes do cigarro no
órgão. Eles levam à inflamação dos brônquios, que ficam mais obstruídos. Vários
componentes oxidantes destroem as ligações entre os alvéolos, causando enfisema
pulmonar", completa a pneumologista, enfatizando que isso leva à fadiga. Se esse
é o seu caso, não há saída além de apagar o cigarro.
Diabetes Quando mal
controlada, essa doença também causa fadiga. O diabetes, explica o
endocrinologista César Hayashida, do Hospital Santa Cruz, causa desequilíbrio no
metabolismo, desequilibrando também a parte do controle de líquidos do corpo.
"Existe a deficiência relativa ou absoluta de insulina, então o
metabolismo de nutrição não é feito de maneira adequada. Assim, há perda de
liquido e desidratação", pormenoriza. Esse desarranjo é o grande responsável
pela fadiga em portadores do distúrbio. Com o controle da doença, entretanto, a
fadiga tende a melhorar consideravelmente.
Distúrbios da tireóide (hipotireodismo ou
hipertireodismo) Embora sejam dois distúrbios extremos, tanto o
hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar fadiga, embora não da
mesma forma. No caso do hipertireoidismo, o doente tem o metabolismo acelerado,
o que faz com que seu corpo faça um esforço desnecessário. Assim, mesmo sem
qualquer atividade física, seu coração baterá mais acelerado. Em dias quentes,
ela sente cansaço equivalente ao da prática de atividade física.
Já no
hipotireoidismo, acontece o contrário. "Como também há alteração no
funcionamento do coração, a pessoa fica cansada sem fazer esforço", conta o
endocrinologista César Hayashida. É como se tudo ficasse mais lento, até mesmo o
cérebro, dificultando a execução de tarefas.
Síndrome da fadiga crônica (SFC) ou
fibromialgia A síndrome da fadiga crônica (SFC) é um mal sem
causa identificada, comumente associada à fibromialgia, onde o quadro de cansaço
não melhora nem com o descanso. É complicado, até mesmo para especialistas,
separar essa síndrome da fibromialgia, que é uma síndrome de amplificação
dolorosa não inflamatória e crônica de difícil diagnóstico. Isso porque a fadiga
aparece na grande maioria dos casos de fibromialgia, que também pode estar
relacionada a dores e distúrbios do sono do paciente.
"A fibromialgia é
uma doença que tem a fadiga como um dos sintomas principais. Ao mesmo tempo, na
síndrome da fadiga crônica, o principal sintoma também é a fadiga. Então, pode
acontecer do paciente ter as duas doenças", conta Roberto Heymann, coordenador
do ambulatório de fibromialgia da Unifesp.
A fadiga causada por esses
distúrbios é arrebatadora. O doente já acorda de manhã muito cansado, o que
piora durante o dia e, apesar de descansar, o cansaço não melhora. Se esse
quadro persistir durante três meses, é importante procurar um reumatologista,
que saberá diagnosticar. "A fibromialgia é um diagnostico de inclusão, ou seja,
se o paciente preenche os critérios, ele tem. Na SFC, você tem que afastar
outras doenças", explica Heymann, que reitera que, ao contrário de doenças
virais ou autoimunes, nenhum dos dois distúrbios causa fadiga muscular, mas sim
a falta de energia.
Embora ainda não exista tratamento adequado para
essas síndromes, ele tem sido feito com o uso de antidepressivos, derivados de
anfetaminas (para melhorar o quadro de falta de energia) e até mesmo GH
(hormônio do crescimento), além de atividades físicas e medidas para a melhoria
da qualidade de sono do paciente.
Depressão Para o depressivo, é
ainda mais difícil conseguir forças para realizar qualquer atividade, até mesmo
as mais corriqueiras. A extrema falta de energia e vontade é um dos principais
sintomas da doença, que também incluem queda de concentração, alterações do
apetite e sono e pensamentos negativos constantes.
Depressão é coisa
séria e exige tratamento adequado, que envolve terapia e uso de medicação. "Em
geral, a fadiga melhora com o uso de antidepressivos, principalmente os que
aumentam a noradrenalina".
Estresse Nosso corpo tem um
balanço de forças motivadoras e calmantes - os sistemas noradrenérgico e
serotoninérgico. Enquanto o primeiro faz com que você tenha força e vontade, o
segundo está ligado à calma. Toda vez que o indivíduo passa por situações de
estresse, há um descompasso desse balanço. "Se há predomínio da serotonina em
relação à noradrenalina, há a fadiga", explica Sérgio Klepacz, psiquiatra do
Hospital Samaritano. Se esse é o seu caso, está na hora de relaxar!
Doenças cardíacas A fadiga é o
primeiro sintoma que indica que algo não está bem com o seu coração. Quando ele
está fraco ou dilatado, não bombeia o sangue com eficiência, causando a fadiga.
Por isso, a fadiga é o primeiro sintoma de inúmeras doenças cardíacas: angina,
infarto agudo do miocárdio, pós-infarto, artérias entupidas, pressão alta,
insuficiência cardíaca, arritmia, doenças valvulares, fibrilação atrial, entre
outras.
"O sangue chega muito devagar em todas as partes do organismo,
inclusive no cérebro, o que favorece o aparecimento do Alzheimer", alerta o
cardiologista João Vicente da Silveira. Por isso, ele ressalta a importância do
check-up, principalmente a partir dos 40 anos.